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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Estudo internacional aponta como monitorar pacientes com sepse

Estudo feito por cientistas brasileiros que participaram de um estudo internacional descobriu uma nova forma de monitorar pacientes com sepse - conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção. Os resultados da pesquisa, publicados na revista Science Translational Medicine, também sugerem uma terapia: a administração da proteína hemopexina.

Os microrganismos costumam exaurir o sistema imunológico provocando uma inflamação generalizada. A resposta - mais do que a ação dos micróbios - piora o quadro clínico com queda da pressão arterial e falência de órgãos vitais. Ao lado de portugueses e americanos, os brasileiros tentavam desvendar os mecanismos relacionados a uma reação tão desastrada.

A sepse é responsável pela ocupação de 25% dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no País, constituindo também a principal causa de morte nestas unidades - a doença mata 220 mil pessoas por ano no Brasil.

A equipe do cientista português Miguel Soares, do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras (Portugal), descobriu um culpado inesperado para a resposta descontrolada do organismo: a hemoglobina presente nos glóbulos vermelhos.

A hemoglobina é a substância responsável por transportar o oxigênio do pulmão para os órgãos vitais através do sangue. Ela se associa a outras moléculas conhecidas como grupos hemes, que possuem um átomo de ferro e funcionam como anzóis para segurar moléculas de oxigênio.

Durante a infecção, os glóbulos vermelhos podem arrebentar e liberar a hemoglobina contida dentro deles, processo conhecido como hemólise. Solta, a hemoglobina transforma-se em uma ameaça. Em primeiro lugar, piora o processo inflamatório. Depois, perde os grupos hemes, que se tornam fonte de nutriente - ferro - para as bactérias e, além disso, são tóxicos para as células, levando a disfunções em diversos órgãos e, eventualmente, à morte. O artigo da Science Translational Medicine descreve a ação tóxica dos grupos hemes.

Mortalidade. Para comprovar esse mecanismo, os cientistas utilizaram camundongos (mais informações nesta página). Animais geneticamente modificados para não produzir a proteína hemopexina – responsável por depurar o sangue dos grupos hemes livres – foram submetidos a quadros de sepse. Eles tiveram mortalidade seis vezes superior a de animais normais nas mesmas condições.



Os pesquisadores perceberam que seria possível usar a hemopexina para prever a severidade da sepse. A morte de camundongos normais – sem alterações genéticas – costumava ser precedida por uma queda nos níveis da substância no sangue.


Para comprovar que as observações também são válidas em humanos, entrou em cena o grupo brasileiro. Cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec-Fiocruz), no Rio, analisaram os níveis de hemopoxina de pacientes com choque séptico em uma UTI. Concluíram que, como nos casos de camundongos, os pacientes que morriam tinham níveis mais baixos da substância no sangue.


A ideia de também usar a hemopexina no tratamento dos camundongos deu certo: a maioria dos animais com sepse severa que recebeu a substância sobreviveu. A hemopexina sequestrou os hemes soltos no sangue e diminuiu seu efeito tóxico. Fernando Bozza, do Ipec-Fiocruz, afirma que testes em humanos estão no horizonte. “Mas ainda temos um certo chão pela frente”, diz. Soares confirma a intenção e a necessidade de estudos prévios sobre a substância.

A presidente do Instituto Latino-Americano de Sepse e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Flávia Ribeiro Machado, afirma que são bem-vindas as pesquisas que contribuam para o diagnóstico mais rápido de sepse. Ela recorda que a mortalidade no País chega a 65%, enquanto a média mundial está em torno de 35%.


PRESTE ATENÇÃO…

1. Diagnóstico. A sepse – infecção generalizada – pode evoluir rapidamente para formas graves


2. Sintomas. Procure o médico quando sentir falta de ar, diminuição da urina, febre e pressão baixa

3. Risco. Crianças, idosos, imunodeficientes e usuários de álcool têm risco maior de apresentar o problema


O Estado de S.Paulo

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Por Marcos Silva